terça-feira, 18 de junho de 2013

Fora Renan! Fora Sarney! Descanse em paz, PMDB!

Em 2014 teremos eleições presidenciais.

Para Senador.

Para Governador.

Para Deputado Federal.

Para Deputado Estadual.

Independente de quem ganhar, sabe qual partido vai estar no poder? Em todos os estados.
Em todos os municípios.

Não sabe? O partido de Renan, o partido de Sarney.

Sempre ele. PMDB, número 15 na legenda.



Sabe o que isso significa? Ele não que ser protagonista. Ele quer só a parte dele do bolo. Ele não quer mudança. Ele não quer mudança alguma.  E quando quer é na base do mude tudo para que tudo continue sendo o que sempre foi.

Como agir? Não vote em nenhum candidato que comece com o 15. Seja ele quem for. Mesmo que seja bem intencionado. Mesmo que seja honesto.

Quem elege alguém do PMDB, independente da esfera, reforça as velhas raposas da política. Dilma é refém dele. Lula foi refém dele. FHC perdeu o controle de sua base quando o PMDB se dividiu.

Em 2014 não vote 15.000, 1500, 150, 15. Vamos extirpar o mal pela raiz. Simples assim.

Em quem você vai votar? Não importa. Acredite, não há como trazer alguém limpo para conviver na água suja do Congresso Nacional comandando pela banca do PMDB.

#nãovoteno15 #forapmdb


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sem almoço, pelo bem da Copa. Você topa?



Gente desmaiando de fome para ser voluntário na Copa das Confederações.

Um ensaio de 8 às 17 horas.

Um lanche composto de sanduíche, fruta e UM bombom distribuído ás 14 horas como almoço.

Socorristas quase robôs que só atendem quando o "capataz" da FIFA diz que pode.

Isso foi um ensaio. Imagina na Copa.

Você vê aqui:
Ensaio para abertura da Copa das Confederações termina em tumulto no Mané Garrincha - SuperEsportes DF

Boa sorte, Brasil!!! #sou+oJapão

Irracional é protagonista na revolta dos R$ 0,20 por Josias de Souza


 "Nina Cappello, estudante de direito, tida como uma das “organizadoras” do Movimento Passe Livre já havia lavado as mãos há três dias: “A gente não tem controle. Ficou claro que a manifestação se transformou numa revolta popular na cidade contra o aumento da tarifa.” Na noite passada, Lídio Costa Júnior, major da Polícia Militar, enxaguou as mãos “Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer”.
Entre a falta de controle da turba e a ausência de responsabilidade da farda, o irracional tornou-se o ator principal do espetáculo transmitido ao vivo das ruas centrais de São Paulo para os lares de todo país. Em meio à bruma do spray de pimenta, a euforia do quebra-quebra misturava-se à excitação dos tiros de borracha. Os dois lados pareciam ter ciência de que preparavam um noticiário fantástico.
Era como se ditassem para o William Bonner um par de destaques para a escalada de manchetes do Jornal Nacional. Era como se redigissem a capa dos jornais da manhã seguinte. Rodavam uma espécie de filme de ação sem autor nem diretor. Depredavam e lançavam bombas de gás porque seguiam orientações e cumpriam ordens. Orientações do Tinhoso, ordens do Todo-Poderoso. E vice-versa.
Exceto pelos sublevados que não têm cara de quem anda de ônibus, manifestantes e soldados formam uma irmandade feita da mesma matéria prima. Não têm razão para sentir raiva um do outro. Provavelmente moram nas mesmas submoradias, comem o mesmo pão que Asmodeu amassou.
Suprema ironia: quando o prefeito era de outro partido, o PT estimulava o Movimento Passe Livre.
Agora, o prefeito é petista. Cúmplice nos reajustes, faz coro com o governador tucano: não há como cancelar. E a turma que dirige o próprio carro se horroriza com a revolta que um reajuste de R$ 0,20 pode causar. Que horror, que horror!
Por sorte, a rebelião teve um desses momentos que o doutor Luís Roberto Barroso, novo ministro do STF, chamaria de ponto fora da curva. Protagonizou-o o policial militar Wanderlei Paulo Vignoli. Montava guarda no prédio do Tribunal de Justiça de São Paulo quando notou que um sujeito pichava o bem público. Tentou impedir. Súbito, viu-se cercado por duas dezenas de manifestantes.
Apedrejado na testa, sangue a escorrer pelo rosto, recolheu os ruídos que soavam ao redor: “Lincha, lincha. Tira a arma dele. Mata!” Sacou o revólver que trazia na cintura. Estava carregado com balas letais, não de borracha. Por que não atirou? “Somos treinados para manter o autocontrole, só atirar no limite. Entendi que, mesmo tendo sido atingido com pedradas, não era o limite para usar arma de fogo.”
Vignoli anda de ônibus e de metrô. Quando não está fardado, desembolsa a tarifa que passou de R$ 3,00 para R$ 3,20. Informado de que os rebeldes pedem tarifa zero, o policial fez cara de riso. “Eu também gostaria, né? Mas acho que nem os países de Primeiro Mundo chegaram a esse patamar.”
Segurança do Tribunal de Justiça, Vignoli conta que o prédio acaba de passar por uma restauração milionária. “Eles têm que entender que esse dinheiro [para apagar a pichação] vai sair do bolso da população.” A realidade brasileira por vezes fica inacreditável. Mas quando se imagina que tudo está perdido, o sujeito que segura o revólver demonstra que é possível ter razão disparando apenas argumentos."

Leia "post" original aqui.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Quem confia em Collor?

Presidente da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, Fernando Collor (PTB-AL) rasgou um relatório enviado pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre) sobre uma obra na Rodovia BR 364 em Rondônia. Dois dos senadores deste estado estavam presentes ao espetáculo:  Acir Gurgacz (PDT-RO) e Valdir Raupp (PMDB-RO).
Partiu deles a informação de que apesar o do relatório dizer que a obra de reforma havia sido re-iniciada, não havia máquinas, nem homens trabalhando por lá.
Num gesto típico de sua personalidade, bem atestado por sua conduta quando presidente da República, Fernando Collor rasgou o documento e mandou que enviassem de volta ao Diretor do DNIT.
Veja abaixo:
A pergunta é: Quem confia em Collor? Alguém vai se surpreender se o próximo Diretor do DNIT for de Rondônia ou no mínimo ligado a essa turma?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Quem se diverte com a Copa no Brasil?

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada". Ayn Rand

Citado isto, nem preciso comentar a matéria do Juca Kfouri abaixo.

Joana “Festeira” Havelange do Blog do Juca

 

Joana Teixeira Havelange, 36 anos, que entre salários e bônus ganha mais de 100 mil reais mensais como segunda executiva do COL (Comitê Organizador Local)*, tirou alguns dias, agora em meados de abril, para curtir o Coachella Valley Music and Arts Festival, na Califórnia.
Trata-se, como se diz, do Festival de Woodstock do século 21.
Nada contra que ela, e mais duas funcionárias do COL, Anna Silveira, Gerente Geral de Eventos, e Keli Kanashiro, Gerente Geral Administrativa, se ausentem juntas, mesmo que às vésperas de um teste no Mineirão, como o da última quarta-feira.
Afinal, o ex-goleiro Baka está aí para isso mesmo, para segurar todas como principal executivo do órgão.
Ocorre que o COL vem repassando para as 12 sedes da Copa do Mundo obrigações que eram dele e que superam os 50 milhões de reais.
O fornecimento de energia temporária, por exemplo, é um desses casos, assim como o cabeamento nos estádios para os centros de imprensa e os mais de 3.000 monitores de TV, tudo originalmente previsto como custo Fifa/COL.
Mas que acabou repassado para as cidades arcarem, isto é, para você, eu, nós, pagarmos, se já não bastasse estarmos pagando pelos estádios públicos e privados.
E é aí que também as baladas da filha de Ricardo Teixeira, e neta de João Havelange, cujo currículo não a habilita para tamanha função, passam a ser de interesse público.
Ela é quem está de língua de fora à direita na primeira foto, batendo palmas na segunda e presente também na terceira, única loira, de óculos escuro.
Joana festeira, sempre sorridente, feliz da vida dela, como se risse da sua, da minha, das nossas caras.

N.B.: COL - É o Comitê responsável pela organização geral da Copa no país sede, sendo agente fiscalizador dos compromissos assumidos pelo país para com a FIFA e seus investidores. (Nota do Blogueiro)
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O dia em que PT virou ARENA e Dilma, General


Em reação à tentativa do bloco governista impor a tramitação em regime de urgência no Senado do projeto que asfixia novos partidos, Pedro Simon (PMDB-RS) pronunciou um discurso com duros ataques a Dilma Rousseff. Comparou-a ao general Ernesto Geisel, que presidiu o país de 1974 a 1979, durante a ditadura.
“Talvez tenhamos que nos referir à marechala presidente”, ironizou Simon. “Talvez, daqui a pouco, ela tenha que aparecer com um casaco diferente. Pode até continuar sendo vermelho, sua cor preferida. Mas com estrelas.” Para Simon, o projeto que o governo deseja aprovar a toque de caixa assemelha-se ao “Pacote de Abril”, baixado por Geisel em 1977. Daí a analogia.
Depois de apoiar e até auxiliar Gilberto Kassab a fundar o seu PSD, o Planalto e seu consórcio partidário pisam no acelerador para aprovar a proposta que restringe o acesso de novos partidos às verbas do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na tevê. Por quê? Para asfixiar legendas novas que se organizam para servir de suporte a Marina Silva e Eduardo Campos, dois potenciais adversários de Dilma.
“Ontem, ajeitou-se tudo para resolver para o PSD. Terá ministério, tem tudo preparado para ir para o governo”, disse Simon, referindo-se ao partido que Kassab criou a partir de uma dissidência do proto-oposicionista DEM. “Tudo bem. Está feito. Mas agora, de uma hora para outra, de uma semana pra outra, querem fazer tudo para evitar a Marina [Rede] e o MD [Movimento Democrático, nascido da fusão do PPS com o PMN]. Não pode ser. Não tem condições.”
O Pacote de Abril, evocado por Simon e por outros oposicionistas para desqualificar o projeto que o Planalto empina, incluiu o fechamento do Congresso. “O PT só não fecha porque não tem força para tanto”, disse Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que endossou a comparação feita por Simon.
Quando Geisel editou o seu “pacote”, os militares vinham de um revés eleitoral, sofrido em 1974. O regime perdera as eleições na maioria dos Estados. Para não perder também a maioria no Legislativo, alterou as regras da eleição de 1978. Decidiu, entre outras coisas, que metade das cadeiras que estavam em jogo no Senado seriam preenchidas por senadores biônicos, sem voto.
No seu discurso, Simon comparou o PT à Arena, o partido da ditadura. Recordou uma cena que testemunhara horas antes. “Hoje de manhã, assistimos na Comissão de Constituição e Justiça delegados de polícia e senadores do PT, de mãos dadas, cantando o hino nacional, porque foi aprovado projeto que dá força aos delegados contra os promotores [que tiveram os poderes de investigação podados]”.
Simon prosseguiu: “No mesmo dia, agora à tarde, vamos ver nossos amigos da Arena fazendo um novo festejo. Esse é o Pacote de Abril. Meus amigos do PT, foi com esses pacotes de abril que a Arena colocou senadores biônicos aqui no plenário. Foi com iniciativas como essa que a Arena explodiu. E o PT está caminhando na direção da implosão.”
Simon vaticinou: Dilma, “que tinha o carinho, o respeito e a credibilidade vai ver para onde vai baixar o seu prestígio. Ela vai se identificar com o que tem de mais triste, de mais infeliz, de mais vulgar na políitca brasileita.” Voltando-se para o líder do PT, Wellington dias (PI), indagou: “O PT aceita essa humilhação? Os líderes do PT são obrigados a dizer amém para uma coisa dessas?”
Nesse instante, os senadores se revezam no microfone do Senado. Debatem o pedido de urgência par o projeto que submete os novos partidos ao torniquete das verbas do fundo partidário e do tempo de rádio e tevê. Se for aprovado, o regime do toque de caixa permite que a proposta seja apreciada sem passar pelas comissões do Senado. Se isso ocorrer, pode ser aprovado já na próxima semana. Presente, Marina Silva assiste a tudo. Veste preto.
Simon não foi o único filiado do PMDB a se opor à proposta que a direção do partido, a começar do vice-presidente Michel Temer, defende ardorosamente. Além de Simon, discursaram contra o projeto os pemedebês Jarbas Vasconcelos (PE), Roberto Requião (PR), Ricardo Ferraço (ES) e Cassildo Maldaner (SC). A matéria dividiu também a oposição. O DEM, escaldado pela erosão que Kassab provocou em seus quadros, é a favor. O PSDB do presidenciável Aécio Neves é contra.

terça-feira, 16 de abril de 2013

PPS: Suícidio ou Metamorfose necessária?

Se quiser entender antes o que está ocorrendo, clique aqui.

Num gesto surpreendente, embora já comentado e esperando nos bastidores da política a meses, o PPS (Partido Popular Socialista), outrora PCB, vai se fundir nesta quarta-feira, 17 de Abril, ao combalido PMN (Partido da Mobilização Nacional), desta união surgirá o MD: Mobilização Democrática.
Alguns militantes questionam a subtração de alguma referência nominal a esquerda, ao socialismo ou comunismo. Segundo a direção do partido a ideia é não afastar outros atores democráticos que não tenham em sua história uma ligação tão forte com os movimentos de esquerdas, leia-se: estão na mira os discidentes do PSD de Kassab, do moribundo DEM e dos descontentes na base governista.
 Resta saber se os velhos membros do partidão terão condições de suportar o aporte de novos membros, não afeitos a partidos com vida partidária intensa e adeptos do debate interno intenso como foram os anos de existência do PPS.
O partido nasce mirando na candidatura de Eduardo Campos (PSB - Partido Socialista Brasileiro), governador do Pernambuco, a presidência em 2014, tendo o próprio oferecido ao grupo que toma a iniciativa, a ajuda do corpo jurídico do PSB para possíveis entreveros jurídicos com o grupo governista.
O fato é que com este gesto o PPS poderá estar se condenando a um suicídio desnecessário e sem volta, mas que pode se converter numa nova aglutinação política, que se contraponha ao gesto oportunista de Kassab pela centro-direita. A reação de Dilma e do governo, junto ao empenho do próprio Kassab para aprovar medida que tornasse esse ato nulo, já demonstra que se não é grande o suficiente para garantir novos rumos, ao menos preocupa e muito.

Abaixo reproduzo entrevista do Presidente do PPS, Deputado Roberto Freire (PPS-SP):



Novo partido pende para Eduardo, afirma Freire



Freire: ‘Alternativa que mais se fortaleceu no PPS com a fusão é a candidatura de Eduardo Campos’
A Mobilização Democrática, legenda a ser criada nesta quarta-feira (17) a partir da fusão do PPS com o PMN, enxerga no governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) a melhor alternativa para a sucessão de 2014. “Isso é bom inclusive para o próprio Aécio Neves, porque a presença de mais candidatos na disputa força a realização de um segundo turno”, disse o deputado Roberto Freire, presidente do PPS, em entrevista ao blog.
O novo partido foi constituído para oferecer uma “janela” aos políticos descontentes com suas atuais legendas. Freire informa que serão bem-vindos inclusive insatisfeitos do recém-criado PSD e do DEM. “Não temos razão para adotar filtro ideológico. A realidade política que estamos vivendo exige uma amplitude maior, pede a formação de uma frente democrática.” Espera trazer o tucano José Serra? “Estamos no jogo, esperando até o último segundo”, responde Freire. Abaixo, a entrevista:
— A nova legenda, que se define como da esquerda democrática, não irá se descaracterizar ao receber políticos de partidos como PSD e DEM? É por isso que o partido vai ser chamado de Mobilização Democrática, embora tenha uma componente de esquerda, inclusive com a tradição comunista, que o PPS traz. Não vamos ficar circunscrevendo nossa ação a quem for de esquerda.
— Não receia ser comparado a Gilberto Kassab, que disse que o PSD não seria de esquerda nem de direita nem de centro? Não. Nosso partido, se você quiser situar, será de centro-esquerda. A componente de esquerda, inclusive comunista, vai se fazer notar, junto com setores da sociedade que são democráticos. Nosso projeto é de natureza essencialmente democrática. Diria a você que, em função da realidade brasileira, estamos criando uma frente democrática tal como construímos lá atrás, no velho MDB, na luta contra a ditadura.
— Os tempos são outros, não? É claro que há todas as diferenças. Não estamos numa ditadura. Mas nós estamos construindo uma alternativa política que tem uma esquerda, até de origem comunista, e a abertura concreta para a formulação conjunta com políticos e lideranças democráticas do país. Entre os nomes que podemos imaginar para disputar o governo teremos, no campo oposicionista, inclusive a possibilidade de caminhar com um candidato de esquerda.
— Refere-se a Eduardo Campos? Isso pode ocorrer, na hipótese de ele vir a ser candidato. Marina Silva também representará uma candidatura democrática e progressista. Há várias alternativas.
— Que alternativa o novo partido deve adotar? Diria a você que a alternativa que mais se fortaleceu dentro do PPS com essa fusão, sem dúvida nenhuma, é essa que vê na candidatura de Eduardo Campos a melhor opção para o partido. Até porque a fusão foi muito pensada por esse grupo.
— Ainda não citou Aécio Neves. Exclui o nome dele por considerá-lo de centro? Não. Defino Aécio como um social-democrata, um homem de esquerda. Vou lembrar um episódio que poucos sabem. Quando era mais jovem, o Aécio foi junto conosco a um Congresso da Juventude, na delegação que o PCB enviou a Moscou. Ele sempre teve bom diálogo conosco. É um democrata.
— Mas não terá o apoio, é isso? Aécio merece todo o nosso respeito e poderá merecer o voto, sem nenhuma dúvida. Podemos ter outra opção. Mas isso é importante até do ponto de vista tático. É bom inclusive para o próprio Aécio, porque a presença de mais candidatos força a realização de um segundo turno. Eu creio que isso é taticamente o mais correto para a oposição brasileira. Não vejo razão para concentrar a disputa no primeiro turno. Isso é para a Venezuela, aqui não.
— Para enfatizar: não haverá filtro ideológico para as filiações à nova legenda? Não. A mudança de PCB para PPS já não observou esse filtro ideológico. Era um partido de esquerda, mas não tínhamos essa exigência. Até porque nós superamos a fase do PCB, do marxismo-leninismo, do centralismo democrático. Agora, nessa fusão, mais uma vez não temos razão para adotar filtro ideológico. A realidade política que estamos vivendo exige uma amplitude maior, pede a formação de uma frente democrática.
— Todos pensam assim? Algumas pessoas dizem: ah, pode vir fulano ou beltrano. Não estou citando nome exatamente por isso. Nós, do PPS, já passamos por isso. No nosso processo de mudança, tivemos aqui ou acolá alguém que trouxe práticas que não eram condizentes com o que pensávamos no partido. E o processo foi depurando isso. Lembro do próprio Ciro Gomes. Ajudou o partido como candidato [à Presidência, em 2002]. Mas depois imaginou que poderia ficar no governo de Lula quando o partido promoveu um rompimento. E o partido mandou ele embora.
— Por ironia, hoje ele está no PSB de Eduardo Campos. Tudo bem. Não tem nenhum problema. Se ele não fizer nenhuma besteira, está ótimo. Vamos lá, estamos juntos. O que é fundamental, e a experiência do PPS indica isso, é que, mesmo com esse pluralismo, você não pode perder os seus valores. E esse novo partido não vai perder. Não vamos vetar ninguém, mas ninguém pode chegar aqui é adotar práticas que não sejam condizentes com o que nós, historicamente, representamos. Isso é um processo. Já vivemos essa experiência.
— Espera atrair quantos novos filiados? Não tenho estimativas. Não estamos conversando nada, porque temos primeiro que definir a fusão, o que faremos nesta quarta-feira. Tenho recebido muitos telefonemas dos Estados, inclusive de São Paulo. São veradores, prefeitos e deputados estaduais. Os deputados federais nós vamos ver no que vai dar.
— Acha que há políticos desconfortáveis em outras legendas? Ah, claro. Se não tivesse, o Kassab não estaria tão aperreado. E não é só Kassab. Pelo que vocês informam, a dona Dilma também está preocupada. Não creio que eles estejam tensos porque pode vir alguém de partidos da oposição. Estão tensos porque pode sair gente da base do governo.
— A fusão foi antecipada para se precaver contra o projeto de lei que dificulta a criação de novos partidos? É exatamente isso. A lei, se for aprovada, não pode retroagir. Vamos existir como novo partido na vigência do mesmo ordenamento jurídico que viabilizou o PSD. O partido político é autônomo. De acordo com a lei, ele é que decide os seus destinos, ele se autodetermina. Pode se fundir, incorporar-se a outro, pode se extinguir. E também pode criar um novo partido por sucessão, tal como o PCB fez lá atrás, tornando-se PPS. O partido é livre para definir os seus destinos. Só não pode infringir a lei. Pois bem, nós faremos um congresso conjunto com PMN, elegeremos um órgão de direção nacional e faremos o registro no cartório de títulos e documentos. A partir desse instante, o partido já terá existência formal. Depois, comunicaremos ao TSE.
— Não teme que o PPS seja tachado de oportunista? do  estamos fazendo isso. Vamos fazer um Congresso, a lei de fusao (9/096, de 95) diz que orgaos nacionais de deliberaçao dos partidos votaram em sessao conjunta, maioria absoluta, projeto e elegerao orgao de direçao nacional, que promoverá o registro do novo partido. Começa com isso, faz-se o reigstro em cartório de títulos e documentos da ata da reniao conjunta que decidiu pela fusao e depois a comunicaçao ao TSE. A fusao se realiza no momento do registro noc artório de titulos e documentos.
— Continua achando que o projeto que altera as regras para a criação de partiros é um golpe? Claro. O que está querendo é acabar com algo que o José Serra chamou de portabilidade [o deputado que muda de partido leva o tempo de televisão e a cota do fundo partidário proporcional à sua última votação]. Chamo de casuísmo e golpe. Nos perguntamos: por que vocês não discutem a troca de regras para a próxima legislatura. Para o futuro, tudo bem, podemos até discutir. O que não dá é para proibir isso agora, depois de que o PSD ter sido beneficiado.
— Não teme que o PPS seja tachado de oportunista? Nenhum receio. Até porque já foi permitido para privilegiar um partido que se vinculou ao governo. Nesse momento, eu diria que não é oportunismo, mas senso de oportunidade. Não fui eu que inventei isso. O PPS foi atingido. Perdeu quatro deputados federais para o PSD. E eu não reclamei. Tudo bem. Saíram do partido e o Supremo Tribunal Federal disse que era correta a interpretação de que eles levavam o tempo de tevê e o fundo partidário. Tudo tudo bem. Agora, não venham dizer que estamos inventando isso. De nossa parte, o que há é o senso de oportunidade. Basta ver o protagonismo que passamos a ter nesse processo de 2014.
— Ainda tem a expectativa de trazer José Serra? Expectativa a gente nunca perde. No futebol, os segundos são irrelevantes. Mas no basquete cada segundo pode ser decisivo. Já joguei basquete e sei o que o último segundo pode representar. Estamos no jogo, esperando até o último segundo.