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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Precisamos de outros Brunos


Bruno em seu último clube: Flamengo RJ
(Foto: Marcos Ribolli Globo Esporte)

Nunca passei pela experiência, mas meia hora numa cela qualquer dessas do Brasil deve ser para traumatizar pro resto da vida de qualquer cidadão.

O goleiro Bruno, ex-Flamengo, ex-Atlético e quase ex-Milan, virou exemplo. E pelo jeito vai ser mantido assim um bom tempo.

Mas, que ele fique preso, porque nesse país precisamos de mais e mais exemplos de gente que não tem benevolência da justiça.
Todo ser humano merece recomeçar Infelizmente, nosso estado ainda tem uma dívida enorme com a sociedade e até termos muitos e muitos exemplos de que a impunidade não vai vingar, precisaremos de outros Brunos.

 A Rádio Itatiaia transmitiu entrevista exclusiva com o goleiro nesta terça-feira, 06 de Janeiro.
Bruno está certo, a cadeia de  hoje não recupera não ninguém. Não recupera e devolve assim mesmo ao ceio da sociedade. Contraditório, não? Resultado de um estado que se acostumou a fazer absolutamente tudo pela metade e de um povo que lamenta o que  recebe dizendo que "é assim mesmo".
 
"- Eu não vivia do crime, mas cometi um. E estou pagando por ele. Espero voltar, não sei se vai ser daqui a um ano ou mais, mas vou atrás do meu objetivo. O meu objetivo, eu deixo bem claro, eu vou correr atrás, não vou acabar com minha carreira atrás das grades. Desde criança eu fui atrás disso. Eu passei minha juventude atrás deste objetivo. Eu cometi um erro, estou pagando por ele e não vou desistir. Uma frase que minha mãe sempre falou: “lutar sempre, perder às vezes, mas desistir jamais”. Então quando eu olho para minha mãe, para minha esposa, para minhas filhas, no dia a dia das visitas, elas sorriem para mim, isso me fortalece. Eu sei que o pior está por vir, mas eu estou preparado." - Lamenta o goleiro.

 Solidariedade

O goleiro também fala do abandono pelos colegas de profissão. 
Quando o caso estourou, em 2010, Bruno estava no Flamengo, em um time que havia acabado de conquistar o Brasileiro, no ano anterior. O elenco contava com jogadores como Ronaldo Angelim, Vagner Love, Petkovic, David Brás, Léo Moura. O ex-goleiro chegou a jogar com Adriano Imperador, em 2009. Na entrevista, Bruno diz que nenhum jogador chegou a procurá-lo. Em uma entrevista à revista "Placar", em 2014, porém, chegou a afirmar que vetou uma visita de Adriano para "preservá-lo".
"- Esperava ter recebido pelo menos uma carta, por exemplo de algum jogador do Flamengo, daquele grupo. Esperava uma carta por tudo que eu fiz entre nós jogadores. Eu tomei muita pancada defendendo muita gente, que hoje eu sei que não merecia. Eu comprei uma briga muito grande. Eu me envolvi em polêmicas porque eu era amigo. Mas eles não mereciam minha amizade."

Problemas financeiros

"Quando se fala Bruno, muita gente acha que eu sou um “Tio Patinhas” da vida. Acha que eu tenho uma fortuna guardada lá fora. Eu perdi tudo, perdi tudo. Financeiramente zerado. É um recomeço da minha vida."


 Ouça abaixo a íntegra da entrevista, publicada no site da Rádio Itatiaia:








segunda-feira, 8 de julho de 2013

Cerol: Caso de Polícia ou de Políticos?


Sou motociclista desde de 2009.

De lá para cá, mais que a necessidade de ter cuidado com o trânsito, parentes, amigos e meus irmãos do Moto Clube Harpias das Gerais sempre manifestam uma maior preocupação com o risco de acidentes com linha de cerol.
Campanhas são realizadas em função de se conscientizar o motociclista do uso da antena corta pipa, inclusive doando muitas vezes dezenas de antenas em blitzes educativas, quando o correto seria o combate efetivo ao uso do cerol.

Fonte: Catraca Livre
Dados da FHEMIG, que você confere AQUI, apontam um atendimento a cada dois dias no Hosp. João XXIII em Belo Horizonte por acidentes (?) com uso do cerol em linhas de pipa. A maioria dos acidentados são homens, principalmente jovens. A maior parte das lesões são nas mãos, sim, o usuário é a principal vítima, seguido pelo pescoço, quando as vitimas são motociclistas e ciclistas na grande maioria.

Acidente? Não! Não foi acidente. Foi assassinato. Cerol mata. E é usado de forma consciente por crianças e adolescentes, apesar das campanhas nas escolas, dos pais informados sobre o risco e da polícia que...polícia?

Sim, o caso é de polícia. Mas, antes de tudo, de política. Falta vontade política para resolver o assunto.
Educar, conscientizar é dever do Estado, mas nesse aspecto ele já conta com a solidariedade e empenho da Sociedade Civil, através das entidades que zelam pela vida no trânsito, pelas associações de motociclistas, moto clubes, sindicatos de motofretistas que ajudam nesse trabalho.
Mas, a fiscalização cabe ao poder público, pior, cabe a vontade política de que seja feita.
Em Minas Gerais já existe lei que pune o uso do cerol na pipa. Veja AQUI a lei e sua regulamentação na íntegra.
Fonte: www.cerol.com.br
Ela prevê multa de R$100 a R$1500 e é enfática em sua regulamentação que a  obrigação da fiscalização "Cabe aos integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, com o apoio concorrente dos agentes de fiscalização municipal ou de guardas municipais".

E por quê isso não é feito? Por que o uso do Cerol não é reprimido então?
É óbvio que não há vontade política para tal. Conversando com alguns PM´s, GM´s e agentes  amigos meus, é latente a falta de vontade de realizar essa fiscalização. Opinião unânime entre estes que consultei que esta atividade não é função e nem prioridade deles.
E quem define prioridades nestes casos? Cabe ao Prefeito, ao Governador tomar uma atitude real quanto a isso. Enquanto o mundo político posar de bonzinho, de educador e fingir que não é sua responsabilidade impedir o uso do cerol, assim permanecerá.
A simples instrução para verificar as linhas usadas pelas crianças nas ruas e recolhimento das linhas e das pipas já faria com que a criançada passasse a se preocupar com o fato. Pipa é geralmente diversão de crianças mais pobres, que tem dificuldade de obter recursos para comprar a linha, logo a possibilidade de ficar sem ela, conscientiza sobre o impedimento do uso do cerol. Mas, isso é exigir demais de nossos agentes de segurança ou não?
Fonte: Domínio Público - Internet
Possibilidade de mudança? Só a mudança que é padrão no Brasil: quando uma tragédia for provocada pelo cerol, difícil, mas não impossível, o assunto virá a tona. E assim como foi feito com a lei seca, que parece que não existia antes, aprovarão uma punição mais severa e farão grandes campanhas como se o fato fosse novo.
Enquanto isso vidas continuarão sendo perdidas, uma de cada vez, sangrando uma família por vez, por que isso não incomoda. Isso não gera comoção. Já nos acostumamos a tratar isso como mero acidente cotidiano.